Práticas Laboratorias em Biologia Vegetal

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AULA 5 – POTOMETRIA

Introdução

Potometria, em grego “Potos” significa “água” e “metria” significa “medição”. Potometria é uma prática que tem por fim demonstrar e medir a taxa de transpiração de um ramo de uma planta. A transpiração é o fenômeno de perda de água, na forma de vapor, especialmente nas folhas, e apresenta uma série de importâncias fisiológicas para uma planta. A água é considerada o recurso ambiental mais importante para as plantas e sua adequada disponibilidade está positivamente associada com uma maior velocidade de crescimento. Tipicamente, a maior taxa de transpiração está relacionada com maior abertura estomática. Essa, por sua vez, possibilita amplo influxo de COpara o interior da folha, que pode ser fixado pelo processo fotossintético, estimulando o ganho de carbono.

Essa prática é totalmente integrada aos objetivos da disciplina de Fisiologia Vegetal, pois une conceitos importantes sobre os mecanismos de transporte de água nas plantas pela teoria coeso-tenso-transpiratória; reforça os conceitos de camada limítrofe e efluxo de vapor de água no poro estomático, além de demonstrar o efeito do vento sobre a transpiração foliar; reforça ainda o conceito de que a transpiração é um fenômeno relacionado com a área foliar, mas pode ser influenciado por outros fatores tanto internos quanto ambientais.


Objetivos específicos desta prática

Reforçar o conceito de transpiração;

Verificar que o fluxo de água perdido na folha é igual ao absorvido pelo ramo;

Reforçar o mecanismo em que o vento estimula o processo transpiratório;

Verificar que as folhas são os principais locais de perda de água;

Demonstrar que a taxa transpiratória é proporcional a área foliar;


Procedimentos e resultados esperados

Primeiramente temos que coletar um ramo de eucalipto (ou outra planta indicada pelo professor), o qual deve ser imediatamente colocado em saco plástico umedecido e com um pouco de água que possa ser absorvida pelo ramo (Figura 1).O ramo deve ter um diâmetro de aproximadamente um lápis (entre 5 a 8mm).

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Figura 1: Ramos de eucalipto para montagem da prática. Atenção especial é necessária para a montagem adequada. No laboratório a base do ramo deve ser novamente cortado imerso em água de modo a eliminar os vasos embolisados.


No laboratório, o experimento deve ser montado, no mínimo em duplicata. Unir uma pipeta de vidro à saída lateral do tubo em “U” com o uso do tubo de borracha ou de silicone. Prender um dos lados do tubo em “U” a um suporte universal e no outro suporte apoiar a pipeta numa garra de modo que ela fique levemente inclinada, porém em nível com a parte superior do tubo (Figura 2).

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Figura 2: Montagem inicial do tubo, pipeta que ficam presos a suportes universais.


Preencher o tubo em U com água e ajustar finamente os níveis (ponta da pipeta com o tubo em U). Inserir o ramo de eucalipto no tubo e prendê-lo firmemente vedando-o com o uso do algodão hidrófobo. Preencher com água novamente, se necessário (atenção para eliminação das bolhas de ar). A outra extremidade do tubo deve ser lacrada com uma rolha (Figuras 3).

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Figura 3: A. Detalhe da montagem do ramo de Eucalipto no tubo em U. Em um dos lados, o ramo de eucalipto é fixado e a extremidade vedada. Atenção para eliminação das bolhas de ar. A outra extremidade do tubo em U é vedada com o uso de uma rolha de borracha. Ainda, detalhe da saída lateral do tubo em U ao qual é inserido um tubo de borracha ou silicone. B. Esquema geral de montagem final da prática, com a inserção do ramo de eucalipto no tubo em U, sendo ele fixado e a extremidade vedada com o uso do algodão hidrófobo.


Em condições de laboratório, sem vento e a montagem recém-preparada, observar a descida do nível da água na pipeta. Para avaliar o efeito do vento e efeito da área foliar deve primeiro, com o cronômetro, medir o tempo necessário para consumir, por exemplo, 0,2 ou 0,3 mL de água. Anotar os resultados. Em uma das repetições ligar o secador de cabelo (com o controle da temperatura desligado) ou um ventilador e soprar suavemente sobre os ramos. Verificar o tempo necessário para se consumir o mesmo volume de água na pipeta. Anotar e comparar os resultados. Na outra montagem experimental, avaliar a taxa transpiratória em condições controle de modo similar ao sugerido e em seguida fazer uma remoção de 50% das folhas. Sem a aplicação do vento, reavaliar a taxa transpiratória. Verificar novamente o tempo necessário para consumir um dado volume de água. Comparar os resultados (Figura 4).

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Figura 4. Visão geral da montagem do experimento, simulando a ação dos ventos sobre a transpiração.


Para avaliar a perda de vapor de água pelas folhas vamos usar uma folha jovem, saudável, completamente expandida dos ramos de eucalipto. Nela vamos montar duas folhas de Papel de Cobalto cortadas do mesmo tamanho da lâmina de microscópio (Figura 5A) e colocar em contato direto com a face abaxial e outra na face adaxial da folha (Figura 5B e 5C). Neste esquema. o papel fica protegido externamente pela lâmina de microscópio e fixado pelos prendedores de roupa (a montagem se parece com um sanduiche, onde a folha fica no centro, dois papéis de cobalto sobre as folhas e por fim as lâminas de vidro).

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Figura 5. A. Preparação do papel cobalto para a prática. B. Montagem do papel de cobalto nas folhas, com a folha ao centro e duas folhas de papel de cobalto, uma na face abaxial e outra na face adaxial da folha com proteção externa pela lâmina de microscópio. C. Montagem do sistema na folha de Eucalipto.


Aguarda-se cerca de 10 min de exposição e observa-se a alteração da coloração do papel de cobalto na face abaxial da folha de eucalipto.

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Figura 6. Mudança de cor do papel de cobalto. O papel de cobalto passa do azul (como referência é mostrado à esquerda) para uma coloração rósea (preso à folha, direita).

Como o papel de cobalto é sensível a água podemos, então, visualizar a perda de vapor de água pelas folhas. Essa prática possibilita ao professor meios de reforçar os fatores que influenciam a taxa de transpiratória e consumo de água pela planta bem como os mecanismos de transporte de água pelo xilema.


Suplemento

Preparo do Papel de Cobalto

Pesar 6,5g de cloreto de cobalto e dissolver em 100 mL de água destilada;

Cortar papel filtro em formato e tamanho similar a uma lâmina de microscópio;

Mergulhar os papéis na solução de cloreto de cobalto: Usar pinça para remover as tiras de papel;

Colocar as tiras em um recipiente refratário e colocar em estufa a 60ºC por 24h;

Guardar em recipiente seco, lacrado e com sílica gel. Retirar imediatamente antes do uso.

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Figura 7: Controle interno que mostra a sensibilidade do papel de cobalto a água. Detalhe do papel de cobalto após pingar algumas gotas de água.


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