Práticas Laboratorias em Biologia Vegetal

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AULA 8 – EFEITO DA NUTRIÇÃO MINERAL SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE PLANTAS DE MILHO

 

Introdução

O crescimento e o desenvolvimento vegetal dependem, além de fatores como luz, água e gás carbônico, de um fluxo contínuo de sais minerais fundamentais para o metabolismo das plantas. Um nutriente essencial é aquele indispensável e que está diretamente envolvido no metabolismo vegetal, sem o qual a planta não cresce normalmente nem completa o seu ciclo de vida, a menos que uma quantidade mínima desse nutriente lhe seja fornecida. Via de regra, estes elementos essenciais são usualmente classificados em macro e micronutrientes, de acordo com a concentração em que o elemento se encontra na matéria seca das plantas. Os estudos do crescimento vegetal podem ser efetuados em culturas hidropônicas líquidas ou em cultivo hidropônico com substrato inerte (e.g., casca de arroz carbonizada, areia lavada, vermiculita), favorecendo o crescimento da planta quando fora do solo, pois consiste no suprimento de minerais através de uma solução nutritiva, fornecendo assim todos os íons necessários para o bom desenvolvimento vegetal.


Objetivos específicos desta prática

Estudar o papel dos macro e micronutrientes na nutrição mineral de plantas de milho ou feijão;

Identificar os principais efeitos da carência de alguns nutrientes minerais na nutrição da planta e a participação no desenvolvimento da mesma.


Procedimentos

 Deve-se preparar sua solução nutritiva (Tabela 1), conforme os tratamentos, sendo:

– solução de Hoagland completa (100%);

– solução de Hoagland com ausência de ferro;

– solução de Hoagland com ausência de micronutrientes;

– solução de Hoagland a 50% da concentração original;

– solução de Hoagland a 20% da concentração original.

Para tanto, no preparo da solução completa deve-se inserir cerca de 500 mL de água destilada num Becker e adicionar lentamente sobre essa 5 mL de cada uma das soluções, misturando muito bem cada uma antes da adição da próxima. Na sequência deve-se completar o volume para 1L em um balão volumétrico. Para o preparo das soluções deficientes em ferro e em micronutrientes, estas soluções estoque não devem ser inseridas; no entanto, as demais soluções devem ser adicionadas sem alteração. Já para o preparo da solução nutritiva a 50 e a 20%, deve-se diminuir o volume a ser pipetado para 2,5 mL e 1 mL, respectivamente, de cada solução estoque.

Tabela 1. Solução de Hoagland proposta por Epstein (1972)

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Figura 1. Sementes de milho colocadas sob areia lavada e peneirada, em copos de plástico


Em seguida, espalhe cuidadosamente e espaçadamente três sementes de milho sobre o substrato, recobrindo-as com uma fina camada de areia. A partir desse momento, as sementes serão irrigadas três vezes por semana, sempre com as soluções nutritivas preparadas acima, correspondente ao seu tratamento, indicado no copo. Transcorrido 7 dias, deve ser selecionada apenas duas plantas por copo para que não ocorra competição entre elas, cortando na base as plantas destoantes. Aos 15 dias, as plantas serão encaminhadas ao laboratório, onde serão avaliadas as seguintes características: (i) altura total da planta (Figura 2); (ii) número de folhas verdadeiras; (iii) área foliar das folhas verdadeiras e (iv) diâmetro do colo a 2 cm do nível do solo (Figura 3). Para a estimativa da área foliar, as folhas verdadeiras terão sua largura e comprimento medidos com o auxílio de uma régua. De posse destes valores, aplicar-se-á as fórmulas propostas por Argenta et al. (2002) para folhas de milho AF = C x L x 0,75; onde C e L representam comprimento e largura, respectivamente.

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Figura 3. Medição do diâmetro do caule. A – Marcação do caule à 2 cm do nível do substrato; B – Com auxílio de paquímetro, medição do diâmetro na região marcada

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Figura 2. Medição da altura total da plântula com o auxílio de uma régua milimétrica

 


Ao final de 21 dias, o experimento será finalmente desmontado, sendo as plantas, então, avaliadas de forma semelhante ao apresentado acima. Por fim, as plantas serão segmentadas em parte aérea (PA) e sistema radicular (SR). Neste momento, as massas frescas e secas da PA e do SR serão aferidas (Figura 4). Com os valores da massa seca, calcular a razão PA:SR, dividindo-se um valor pelo outro.

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Figura 4. Corte na região a nível do substrato para separação da parte aérea e radicular para pesagem do peso fresco e seco com o auxílio de uma balança de precisão


Resultados esperados

Depois de obter todas as análises, poderemos notar diferenças morfológicas e sintomas referentes a comprometimento nutricional (Figura 5). Depois de obter todas análises, compartilhem os dados de cada grupo e os organizem em uma tabela comparativa com as médias para cada parâmetro, e cada tratamento (Tabela 2).

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Figura 5. Aspectos visuais das plântulas de milhos submetidas a diferentes condições nutricionais. A- da esquerda para a direita estão as plântulas irrigadas com água deionizada, com Hoagland a 20%, Hoagland a 50% e, por último, Hoagland completa (100%); B- Comparação entre as plâtulas irrigadas com Hoagland 100% (mais a esquerda), solução com ausência de Ferro (no meio), e solução com ausência de micronutrientes (mais a direita)

Tabela 2. Médias dos parâmetros avaliados em plântulas de milho sob diferentes condições nutritivas. *A área foliar representa o valor médio obtido por planta

Tabela 2_prática 9


Bibliografia Complementar

Argenta G, Silva PRF, Mielniczuk J, Bortolini CG (2002) Parâmetros de planta como indicadores do nível de nitrogênio na cultura do milho. Pesquisa Agropecuária Brasileira 37, 519-527.


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